
Líder do Bloco Parlamentar de Segurança Pública, o deputado Tito Barichello afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Combustíveis será um instrumento direto de combate ao avanço das facções criminosas no Paraná.
“Essa operação revelou o que muitos já suspeitavam: o crime organizado se infiltrou no coração da economia formal. Postos de combustíveis estão sendo usados para lavar dinheiro sujo do tráfico. O Paraná não será refém do crime organizado”, declarou o deputado Delegado Xerifão.
A criação da CPI foi motivada por uma reunião da Comissão de Fiscalização da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), realizada em 31 de março, que discutiu disparidades nos preços dos combustíveis e indícios do envolvimento de organizações criminosas no setor.
Na ocasião, a chefe do Procon-PR, Claudia Silvano, explicou que o governo estadual não tem prerrogativa para interferir diretamente na definição dos preços, já que a Constituição garante o princípio da livre iniciativa. No entanto, destacou que a fiscalização pode atuar na composição dos combustíveis e na transparência das informações oferecidas ao consumidor.
Paulo Fernandes, representante da Paranapetro, abordou a oscilação nos preços e a adulteração de combustíveis, citando práticas ilegais como a venda de etanol sem nota fiscal e misturas irregulares nos produtos. Ele também apontou que as variações de preço entre as regiões se devem, principalmente, a diferenças nos custos operacionais.
A CPI tem como foco central investigar a presença e atuação de organizações criminosas no setor de combustíveis, com ênfase em possíveis crimes como lavagem de dinheiro, formação de cartéis, uso de violência contra concorrentes e eventual conivência de agentes públicos.
“Estamos lidando com algo que vai além da economia. É uma questão de segurança pública, integridade institucional e proteção à população paranaense. O Estado precisa agir com firmeza”, reforçou Barichello.
Facções dominando o setor
A justificativa do pedido da CPI menciona informações de operações policiais, inteligência, reportagens e denúncias, indicando a presença de facções como o PCC, Comando Vermelho (CV) e Primeiro Grupo Catarinense (PGC) no controle de redes de postos de combustíveis. Estima-se que até 30% dos postos em SP estejam envolvidos nas fraudes — um modelo que pode estar sendo replicado no Paraná.
Barichello conclui, “a Assembleia Legislativa tem o dever de reagir à altura dessa ameaça. Vamos investigar a fundo, responsabilizar os culpados e propor mudanças reais para proteger o povo paranaense.”
Com a instalação da CPI, o deputado reforça sua posição como uma das principais vozes no combate ao crime organizado dentro do parlamento estadual, reafirmando o compromisso com a segurança pública e o fortalecimento do Estado de Direito no Paraná.
